ERPI APARTAMENTOS- Casa da D. Aninhas

A responsabilidade de cuidar das pessoas idosas até há alguns anos estava quase exclusivamente nas mãos da própria família. As alterações demográficas e sociais, de que são exemplo a diminuição do agregado familiar, a entrada das mulheres no mundo do trabalho, o aumento da competição e do consumo, levaram a que algumas famílias começassem a transferir essa responsabilidade para o estado ou para instituições privadas (Almeida,2008).
Assiste-se ao emergir de uma nova forma de gestão da velhice, pois os encargos e responsabilidades que no passado eram assumidos só pela família são hoje partilhados com o Estado, na sua função social de auxílio às famílias na prestação de cuidados, quer através de ajudas monetárias, quer assegurando o acesso a equipamentos sociais que evitem ou superem o isolamento ou a marginalização social. Arca (2007:269-270) defende uma posição partilhada de prestação de cuidados, referindo que "(...)tratando-se de um fenómeno social, a prestação de cuidados aos nossos idosos deve constituir uma responsabilidade partilhada entre a obrigação moral e ética da família e a obrigação social do Estado enquanto garante dos direitos fundamentais de todo e qualquer cidadão, independentemente da sua idade".


Face à realidade e dinâmicas familiares atuais, esta partilha tem de existir porque nem sempre é possível às famílias cumprir na totalidade os seus deveres de solidariedade inter-geracional, tendo de recorrer às Respostas Sociais existentes, como é o caso da institucionalização em ERPI. Por vezes no seio familiar não são possíveis de prestar e satisfazer as reais necessidades do idoso, pelo que surge a necessidade de recorrer á institucionalização por um período pontual, até novamente estarem reunidas as condições para voltar ao seu domicílio ou em casos de irreversibilidade a situação de institucionalização permanente tem de ser equacionada.

A institucionalização é um processo complexo, que envolve a tomada de consciência da necessidade, que pode ser do próprio idoso ou de outro agente, até à sua integração na resposta social. Em alguns casos, a institucionalização é uma opção do próprio idoso, sendo uma opção individual que nada tem a ver com uma decisão familiar. A institucionalização é uma solução que tem subjacente motivos como a dependência, as mudanças na estrutura familiar, a ausência de redes de solidariedade, o isolamento, as más condições habitacionais e a deterioração das condições de saúde destas pessoas. Em muitas situações a necessidade da institucionalização decorre da sobrecarga do cuidador informal que são, quase sempre, mulheres. O papel destas cuidadoras informais não se finaliza com a institucionalização, por isso se questiona, ao se tomar essa providência, o stress da cuidadora é direcionado ou apenas muda de foco (Golstein & Siqueira, 2000).
Em Portugal a institucionalização constitui uma resposta em expansão. Em 2008, segundo o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, viviam em lares para idosos 51.017 pessoas idosas (num total de 1.702.120 pessoas com mais de 65 anos) (INE 2002). Verificando os dados de 2014 fornecidos pela Carta Social podemos constatar que houve um aumento de mais 38.649 idosos institucionalizados num espaço de tempo de seis anos, ou seja, num total de 2.087.505 pessoas com mais de 65 anos, 89.666 encontram-se em ERPI´s (PORDATA,2014). Sabe-se que a institucionalização é mais evidente nas grandes cidades, pois é aí que se concentra a grande população idosa, mas também se tem verificado que é no interior que os novos idosos procuram uma velhice mais saudável, com qualidade de vida e em que se tem verificado um aumento da esperança média de vida. A institucionalização de idosos é uma realidade nacional e com tendência para aumentar tanto ao nível da procura como da oferta, tendo por base o aumento constante da população mais velha, bem como a alteração das condições de vida das famílias. Segundo os autores Woroby, Angel e Born (2002), citados por Martins (2006), a institucionalização é aconselhável à população de idosos isolados, com
perdas de independência funcional, sem familiares por perto ou inexistentes, o que acontece nas cidades, vilas do interior do nosso país em que existe uma maior taxa de migração e emigração. Também Fernandes (1997) e Gomes (2000), autoras referidas por Martins (2006), despertam para a necessidade de melhorar a carga negativa que ainda perdura relativamente às organizações cujo objetivo é o alojamento de idosos, substituindo os antigos asilos ou hospícios e atualmente com outro tipo de intervenção. Segundo vários estudos realizados nos EUA por Kane em 1997 e citados por Born e Boechat (2002), sobre os fatores que determinam a institucionalização e que têm grande peso na decisão são: a idade, o diagnóstico clínico, a limitação nas AVD, o facto de morar sozinho, o estado civil, a situação mental, a etnia, a ausência de suportes sociais e a pobreza.
Segundo Freitas (2002), no caso do Brasil, os fatores de risco que deram origem ao internamento em instituição residencial, foram provenientes de pessoas com idades superiores a 70 anos, sexo feminino, solteiros, sem filhos ou viúvo, residirem sozinhos, em situação de isolamento social, grandes dificuldades económicas, doenças múltiplas, dependência, altas hospitalares precoces, depressão, demência e incontinência.

 

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